A Improvável Jornada de Harold Fry, de Rachel Joyce

A improvável jornada de Harold Fry, de Rachel Joyce, tem como temas centrais os sentimentos de amor, amizade e arrependimento. A autora conta a história do aposentado Harold Fry que numa manhã de sol sai de casa para colocar uma carta no correio, sem imaginar que estava começando uma jornada não planejada até o outro lado da Inglaterra. Ao receber uma carta de Queenie Hennessy, uma velha amiga com quem não tem contato há décadas, Harold Fry descobre que ela está em uma casa de saúde, sucumbindo ao câncer.

Então, escreve uma resposta rápida e, deixando sua mulher com seus afazeres, vai até a caixa postal mais próxima. No caminho, tem um encontro casual que o convence de que ele deve entregar sua mensagem para Queenie pessoalmente. E assim começa a peregrinação improvável de Harold Fry.

Harold se mostra em quase toda narrativa um homem oprimido, muito solitário, mesmo tendo  a presença da esposa em casa ( na presença dela e do filho, Harold se sentia um  invasor em sua própria vida).

Não tem como não lembrar de outras histórias sobre superação que tiveram como pano de fundo a solidão e a redescoberta de sentimentos valorosos que foram se perdendo com o tempo. Lembrei-me muito de filmes como Náufrago e principalmente Forrest Gump o contador de histórias quando ele resolve do nada, correr em busca de algo que nem ele mesmo sabe.

Ao longo da leitura, descobrimos a dificuldade de Harold em expressar seus sentimentos. Não considero culpa somente dos outros que o oprimiam, mas também dele que nunca reagia. Um grande exemplo disto é quando ele se permite contar a outra pessoa sobre o suicidio de seu filho, e como se sentiu frente a tudo e principalmente frente sua esposa

Determinado a andar 600 milhas de Kingsbridge à Berwick-upon-Tweed, acredita que enquanto caminhar, a amiga estará viva. Ao longo do caminho, ele encontra personagens fascinantes, que o trazem de volta memórias adormecidas: sua primeira dança com a mulher Maureen, o dia do seu casamento, a alegria da paternidade. Todos os resquícios do passado vêm correndo de volta para ele, permitindo-lhe conciliar as perdas e os arrependimentos.

Uma das coisas mais encantadoras nesta obra, que não considero tão depressiva quanto parece, é como o amor entre o casal se reestrutura, e como são curadas as feridas do passado. Lágrimas brotam sem dificuldades quando  reconhecemos  a superação de um personagem que torcemos desde o começo da história para que conseguisse realizar algo importante em sua vida e aliviar a pressão de um coração tão sufocado.

A primeira vista não dá pra entender o significado do nome deste livro (A Improvável Jornada de Harold Fry) e sua ligação com todo o enredo.

Não desista, vá até o final… Sei que alguns trechos podem ser muito cansativos porém a mágica esta no desfecho da história. É algo inenarrável que invade o coração e acalenta sem dúvidas.

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