O Livro das Coisas Perdidas – John Connoly

John Connolly nasceu em Dublin, em 1968, e estudou Filologia Inglesa e Jornalismo. Colaborador de longa data do jornal The Irish Times. Em ‘O livro das coisas perdidas’, John Connolly desconstrói fábulas conhecidas, como A branca de neve e os sete anões e João e Maria, por meio de muita imaginação e mistério.  O décimo sétimo livro de John, O livro das coisas perdidas, lançado no Brasil pela Editora Bertrand.

downloadO livro se passa na época da segunda guerra mundial e nosso protagonista se chama David. Um menino de 12 anos,  amante da literatura, que é sensível, dedicado a mãe, muito supersticioso.

Sua mãe está muito doente e ele crê piamente que a doença dela é sua culpa. Em sua visão infantil, ele descreve esta doença como “a doença que come a pessoa por dentro”. David desenvolve um toc severo.. ele precisa seguir rigorosamente todo um ritual para sentir que está protegendo sua mãe. Certo dia ele necessita se ausentar e justamente nesta ausência ela falece.

Vem então uma depressão profunda, uma melancolia descrita pelo autor com maestria. Vemos que o livro não necessariamente será infantil, pois possui passagens emocionalmente complexas. Seu pai o leva a um psiquiatra após uma série de crises de convulsões que ele tem.

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David começa a ouvir os livros, os livros conversando entre si. Seu pai conhece uma jovem chamada Rose, eles se casam e vão morar distantes dos conflitos de guerra, numa casa antiga que pertencia a família dela. Rose engravida e David ganha uma irmãzinha. Ele não aceita o irmão, o casamento do pai e tudo tende a so piorar.

Ele ganha nesta casa um quarto cheio de livros, livros que pertenceram ao tio de Rose chamado Jonathan, que sumiu aos 14 anos em condições que até hoje não foram entendidas. Dentro deste quarto ele começa a escutar a voz da mãe nos fundos da casa, num jardim. Associado a isso, Davi começa a ver um vulto rondando a casa, o seu quarto.

“Naquela noite, enquanto David estava no quarto, aqueles murmúrios dentro da cabeça somaram-se ao som que vinha dos livros. Foi obrigado a tapar as orelhas com o travesseiro para abafar o barulho daquela conversarada toda, enquanto as histórias mais antigas iam acordando e começando a procurar lugares onde pudessem crescer”.

Cansado, estressado com todos estes eventos ele resolve seguir o chamado da voz da mãe e vai até os fundos da casa, no jardim. Um grande estrondo acontece e ele acorda desnorteado em um ambiente escuro. Saindo dali, Davi tenta achar o caminho de volta, mas não consegue, ele foi ajudado por um lenhador. Do encontro com o lenhador tudo começa a fluir, os personagens que conhecemos vão sendo desmistificados aos poucos.

“…as histórias tornavam-se vivas somente quando eram contadas. Não existiriam de fato no nosso mundo, se não houvessem pessoas para lê-las em voz alta… ficavam adormecidas, aguardando uma oportunidade para despertar… As histórias queriam ser lidas. Precisavam disso. Queriam que as fizéssemos viver.”

John Connoimageslly aborda temas como ciúme, medo, o autoritarismo (branca de neve) a coragem e  a mudança do menino para o homem ( o amadurecimento),

O livro é  narrado em 3ª pessoa e é capaz de deslumbrar até mesmo os leitores mais exigentes, uma narrativa cheia de detalhes fascinantes. É claramente perceptível a dedicação e organização de pesquisa que foi depositada nessa obra.  A figura materna na vida de Davi é essencial para todo o desenrolar da história. Ela o estimulou a crer, a valorizar as palavras e senti-las profundamente.  Após a morte da mãe, David, aos doze anos, passa a maior parte do tempo em seu quarto tendo os livros como companhia.

O conflito familiar é bem típico e conhecido por todos. Novo casamento, novos irmãos.. Esse não é o ponto mais forte do livro. Você leitor, se encontrará numa constante dúvida se tudo o que está sendo lido é uma alucinação do menino devido a todos os sintomas já descritos pelo autor ou se realmente algo fantástico aconteceu (isso perdura até a última linha ok).

Passa a existir uma humanização dos personagens ficcionais, tudo é muito real, a maldade, a bondade, o carinho, a figura paterna do lenhador e as propostas sedutoras do homem torto que podem tirar você de seu caminho.

Fiquem atentos aos símbolos da narrativa, em especial a figura do lenhador e uma matilha de lobos (nada é o que parece).

Preparem-se para encontrar heróis, monstros e um rei fracassado que guarda seus segredos em um livro misterioso.

“Este mundo não era igual ao mundo de suas histórias, no qual o bem era recompensado e o mal, punido. (…) Este mundo não recompensava a coragem”, dizia David.

Ecoando por contos de fadas com os quais todos os leitores cresceram, O livro das coisas perdidas é a apaixonante história de um menino que descobre que ler pode transformar qualquer fantasia em realidade e que, na vida real, crescer pode fazer de um jovem um herói. Um livro com uma história única, uma narrativa envolvente e super criativa, é um livro para jovens e adultos que adoram contos de fada, é uma grande fábula bem escrita

 

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