Pinóquio – Um romance a ser relido

Pinóquio é um romance atemporal. A história de um pedaço de madeira que se transforma em boneco, nas mãos de um carpinteiro, traduz o universo humano do homem, sempre em busca de sua verdade interior. O livro vai além quando através do personagem, traduz a importância da educação para que possamos nos inserir no mundo. O livro é um clássico, pois há todos os elementos da narrativa, como a redenção do personagem graças ao sofrimento e as aventuras que terá que passar. Uma jornada de auto conhecimento.

Da madeira esculpe-se o bonequinho que anda, chora, ri, dança, fala e mais do que isso- mente. O clássico escrito por Carlo Collodi foi lançado em 1883. A história de “Como foi que o mestre Cereja, carpinteiro, encontrou um pedaço de madeira que chorava e ria como um menino”, inicia como todos os contos de fada.

Era uma vez… -Um rei! -dirão imediatamente os meus pequenos leitores. Não, meninos, vocês erraram. Era uma vez um pedaço de madeira. Não era uma madeira de luxo, mas um simples pedaço de lenha, daqueles que no inverno, colocamos na estufa ou na lareira para acender o fogo e aquecer a casa.”(Primeiro capítulo)

(…) –Quero usá-la para fazer uma perna de mesa. Dito e feito, pegou logo o machado afiado para tirar as lascas e esculpir o pedaço de madeira, mas estava para dar o primeiro golpe, ficou com o braço suspenso no ar porque ouviu uma vozinha bem fina que dizia suplicante: -Não me bata com tanta força! Imaginem só como ficou o bom e velho mestre Cereja! Olhou atônito por toda a oficina para ver de onde podia ter saído aquela vozinha e não encontrou ninguém! Olhou embaixo do banco, e ninguém; olhou dentro de um armário que estava sempre fechado, e ninguém; olhou na cesta de lascas e serragem, e ninguém; abriu a porta da oficina para dar uma olhada na rua também, e ninguém! Mas, então, quem poderia ter sido?

Ao iniciar o romance focando no era uma vez, imagina o leitor que o narrador contaria uma estória de reis, mas é surpreendido com o pedaço de madeira. Deu voz o escritor a um pedaço de madeira, uma madeira que sente, uma madeira. Dessa madeira surgirá um ser, um menino. Ao surpreender o leitor, Collodi, numa linguagem infantil, coloca uma questão muito interessante : o carpinteiro tenta moldar a madeira .

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Ela se ressente, ela chora porque dói. Nesse momento deixa de ser madeira e se transforma em ser. O educador, está na figura do carpinteiro. As vezes somos educados para agir dessa ou de outra maneira, manipulados como o pedaço de madeira. Para viver em sociedade precisamos nos moldar. Nossa natureza às vezes não obedece ao que nos propuseram a ser e a construir. Dói nascer. Muito mais crescer…

O livro inteiro é lindo, além dos princípios que os bons contos de fada possuem, tem o romance a preocupação em tocar em assuntos como a fome,a educação , e a transformação do homem. Sim, é possível mudar, para isso haverá a necessidade da transformação, com pitadas de generosidade e de trabalho. Como é trabalhoso e muitas vezes lento o processo de mudança.

E aquele bonequinho que se chama Pinóquio está no imaginário de todos nós. O nariz dele crescia quando mentia, e para isso foi necessário sofrer, passar por aventuras, sentir-se cerceado em sua liberdade para aprender. Quando ele sai do universo da oficina do pai Gepeto, conhece as angústias do mundo e por si só recolhe-se ao conforto da companhia do velho construtor. Sai liberto e por fim se transforma num menino de verdade.

Fonte: site Obvious

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