Cinema 2000: Frank (2014)

frank_poster

Frank é um desses filmes independentes muito especiais, que define seus personagens por suas  esquisitices. A  banda de título impronunciável The Soronprfbs é composta por um tecladista suicida, um homem que só tem desejo sexual por manequins de lojas, um francês que não se comunica com ninguém, uma mulher com impulsos assassinos, um compositor que nunca conseguiu escrever nenhuma música e um homem que usa uma cabeça falsa o tempo inteiro, mesmo para comer, tomar banho e dormir. Este último é Frank, o líder do grupo.

Para surpresa de muitos, o filme foi baseado na vida de Chris Sievey, um músico e comediante inglês, que formou a banda ‘The Freshies’. Mais tarde, ele fez peças e shows sob a máscara de Frank Sidebottom. Este poderia ser o material para um drama, ou mesmo um suspense, mas o filme é uma comédia leve, demonstrando prazer por um tipo de absurdo mínimo, inconsequente, quase infantil.

Michael Fassbender já interpretou personagens como mutante, um gladiador, um viciado em sexo e um senhor de escravos, mas o status de galã do ator está cada vez mais forte. Então, por que contratá-lo para interpretar um personagem que veste uma máscara gigante durante a maior parte do filme?  Pensando em todos os desafios que enfrentou ao longo da carreira, nada pode ser comparado com seu trabalho em “Frank”. Ele foi obrigado a falar com o corpo. Os seus trejeitos e a sua mania de descrever o que acontece por trás da máscara gerou momentos de pura diversão.

Seu personagem possui algum tipo de doença mental, mas é extremamente criativo e consegue inspirar as pessoas que vivem em sua volta. Seus colegas de banda não conhecem seu rosto, pois Frank não vive sem a máscara e faz tudo com ela, inclusive tomar banho.

Frank - FotoJuntos, eles decidem passar um ano inteiro reclusos em uma cabana distante, fazendo experiências com sons ambientes, aperfeiçoando a sua música e criando o melhor álbum da história. O público nunca descobre exatamente que tipo de música o grupo compõe: apenas uma canção é tocada integralmente durante a história. Mas o que interessa em Frank é menos a música do que a evolução dos membros da banda, seguindo a premissa romântica de que só os loucos e as crianças são realmente livres, criativos e desprendidos de amarras sociais, podendo criar obras-primas. A imersão do grupo na música nada mais é do que um projeto de hospício, ou de arte-terapia administrada pelos próprios internos.

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O diretor do filme é o irlandês Lenny Abrahamson. Ele soube lidar com a excentricidade da trama, divertindo o espectador com a maneira alternativa adotada pela banda, e surpreendendo com a dose certa de emoção.O nome da banda também apresenta um desafio ao espectador, é impossível pronunciar Soronprfbs. 
“Frank” cumpre a função de uma sátira e presta homenagem aos artistas que quebram as barreiras em nome da criatividade. O filme gira em torno da ideia de loucura, mas nunca assume esse papel. Mesmo com toda a loucura de Frank, ele é visto como um semi-deus por seus colegas.

 

 

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